É fogo…

Nunca confie em nada e nem em ninguém!
 
Eu aprendi essa lição muito cedo na vida. Vou contar para vocês como é que foi…
 
Eu estudei em colégio de freiras. O Colégio Sagrado Coração de Jesus. Lá por volta dos meus nove ou dez anos, me tornei um assíduo explorador da biblioteca da escola! Era uma felicidade correr para lá nos recreios e escolher um bom livro para ler em casa. Eu já tinha uma vantagem sobre meus colegas: alcançava as prateleiras mais altas! No entanto, comecei pela prateleira de baixo, lendo a Coleção Vaga-Lume! Histórias de mistérios e aventuras para crianças e adolescentes. Logo a seguir, mais para cima, descobri Monteiro Lobato. Creio que Hércules foi o meu primeiro grande herói, cheguei a decorar todos os trabalhos dele e até fiz uma lista dos 12 trabalhos que eu iria fazer. 😉
 
As explorações foram ficando cada vez mais interessantes e foi então que eu retirei da biblioteca um livro que ensinava a fazer mágica. Não lembro nem do nome, nem do autor, só sei que não era tão elegante e bom quanto o "Magirama" da Disney. Na verdade, acho que era uma daquelas edições de bolso da Ediouro… Enfim, retirei o livro e tão logo cheguei em casa, já comecei a bancar o Mandrake.
 
Alguns truques eram simples, com cartas e elásticos. Outros eram mais suspeitos. Por exemplo, achei muito difícil que, se eu colocasse uma cenoura recortada em forma de peixe no aquário, meus amigos fossem acreditar que eu estava retirando um peixe dourado do aquário e engolindo ele vivo… E se por acaso eu me atrapalhasse na hora? Ia ser um absurdo engolir um peixe dourado e deixar uma cenoura dentro do aquário. Como explicar isso para os pais mais tarde? Além disso, tinham outros probleminhas, tais como: eu nunca tive um aquário, nem peixes dourados e detestava cenouras.
 
Foi então que cheguei na mágica da caixa de fósforos. As instruções eram claras:
  • Pegue dois palitos.
  • Segure um de cada lado da caixa, mantendo a cabeça de fósforo em contato com a parte da caixa que acende o palito.
  • Oculte as cabeças de fósforo com o seu polegar e com o seu indicador
  • Bata os palitos com força na mesa, gritando então: ABRACADABRA!
Segui tudo, tim-tim por tim-tim e, quando eu bati os palitos na mesa, gritei: ABRACADAB…IIIIIIIIIIIIIIIIAAAAAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUUU! AIIII! AIIIII! AIIIIIII!
 
Esse grito estranho e bizarro saiu de minha boca devido ao fato de que os fósforos incendiaram e queimaram meus dois dedos. No dia seguinte, lá estava eu com duas bolhas, uma em cada dedo. Li e reli a mágica até me convencer de que havia feito tudo certo! Não restavam dúvidas, era uma PEGADINHA!!!! Caí no conto do palito e queimei meu próprio dedo! E o livro com a piada de mau gosto estava lá, exposto em plena biblioteca do Colégio Sagrado Coração de Jesus!
 
Depois dessa, aprendi a desconfiar sempre de tudo e de todos! 🙂
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1 comentário

Arquivado em Causos

Uma resposta para “É fogo…

  1. Lisa

    Tadinho… mas ainda acho que vc devia ter avisado a professora, antes que algum outro tonto se machucasse. E devia ter pedido pra comprarem o Magirama. 🙂

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