E joga a bunda pro alto…

E joga a bunda pro alto,
e joga a bunda pro alto,
e coloca a mão no chão.
E joga a bunda pro alto,
e joga a bunda pro alto…

Esses versos infernais andam pela minha cabeça nas últimas semanas, mais precisamente desde que voltei a frequentar a academia de ginástica. Acontece que, para desespero meu e também de boa parte dos colegas malhadores, não existe divisão entre a sala de ginástica e o local aonde estão os aparelhos de musculação. Por volta das sete horas, quando estamos trabalhando os músculos, começa a aula de Funk Aeróbico.

Sim, isso mesmo! Existe algo chamado Funk Aeróbico! Não me digam que vocês não reconheceram de imediato pela letra da música?

A aula ocorre três vezes por semana e cada sessão dura uma hora. Temos que ficar escutando pérolas da canção popular brasileira, tais como:

"Blá, blá, blá…
Chupa que é de uva, chupa que é de uva;
Por que é que você não tenta?
Chupa que é de menta, chupa que é de menta…"

O nível é dessa daí para baixo… No entanto, o pior de tudo  é que a aula é um sucesso. Pelo visto, os exercícios funkeiros dão um excelente resultado e a região da academia onde ocorre a aula dançante logo se enche com pelo menos vinte garotas e um professor. Os exercícios acompanham a letra, então "joga a bunda pro alto e coloca a mão no chão" corresponde a um exercício interessante para fortalecer os glúteos e as garotas fazem exatamente o que a letra manda.

Imaginem a cena. "Joga a bunda pro alto, joga a bunda pro alto…", e vinte garotas bem torneadas pelos exercícios, todas com seus trajes de malha colados ao corpo, encostam as mãos no chão e jogam seus respectivos traseiros para as alturas. E quem está lá no alto? Quem mais poderia ser a criatura que foi colocada para correr que nem um hamster no elíptico? Sim, o elíptico, aquele enorme aparelho que fica justamente há um metro da região das aulas.

O hamster sou eu, claro…

Quais eram as chances de uma coisa dessas acontecer comigo quando eu era solteiro? Zero! Nenhuma! Murphy é implacável. A academia que eu frequentava em Bento Gonçalves tinha seus aparelhos elípticos bem defronte a ala de fisioterapia geriátrica, que era o lugar onde simpáticos velhinhos e velhinhas desenferrujavam os músculos com o auxílio dos treinadores.

Hoje em dia, enfrento uma situação complicada. O que fazer? Ficar acompanhando a aula descaradamente me parece extremamente errado, a aliança na minha mão esquerda começa a ferver e eu sinto medo de virar uma estátua de sal ou algo assim. No entanto, e se eu desviar o olhar e algum dos fortões perceber que eu não estou olhando a aula? Nesse caso, ficarei com a maior fama de veado! O que fazer? O que fazer?

Decidi que o mais certo era aumentar o nível de esforço no elíptico, colocar no máximo a intensidade do exercício e deixar que o suor e minha cara concentrada, de olhos fechados, demonstrassem que eu estava lá interessado em perder peso. Fiz isso. Coloquei o dial no máximo, mandei ver nas pedaladas e ignorei o funk e as bundas arremessadas em minha direção.

Quebrei o elíptico.

Eu aguentei o esforço no nível alto, mas o aparelho não. Felizmente, ninguém notou o estrondo do pedal despencando no chão, junto com a barra de ferro de sustentação e tudo o mais. Também, quem notaria alguma coisa com aquele som infernal fazendo o cérebro derreter?

Dei por encerrado meus exercícios do dia e saí da academia, discretamente e de modo acelerado.

Preciso arranjar um MP3…

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