A Contribuição do Mingau

Sinto muitas saudades dos natais da minha infância. Os italianos dão especial importância a essa época e, em especial, a história do nascimento do Menino Jesus. Por isso, era certo que logo no início do mês de dezembro um canto da sala seria reservado para montar o presépio.
A estrutura era sempre a mesma. Primeiro, se providenciava uma grande caixa de areia para simular o deserto e nela se colocava o pinheirinho de Natal que, ao contrário de hoje, era de verdade. Lembro das aventuras pelo meio das colonias bentansas para obter os tais pinheirinhos. Até hoje não sei se eram ações totalmente legais ou não, mas eram tratadas com o máximo sigilo e meu tio ficava furioso quando fazíamos algazarra demais nos bancos de trás da Charmosa.
Hein, o quê? Ah, sim, Charmosa era a lendária Kombi do meu tio, sempre utilizada para a importante missão de transporte natalino.
Então, ao pé da árvore, já totalmente enfeitada, montávamos o presépio. Tinha os reis magos, o camelo, o jumento, as ovelhas, José e Maria, todos contemplando a manjedoura onde ficava a estátua de uma criança dormindo.
O tempo passou e a tradição se perdeu. Quer dizer, apenas um ramo de minha família a manteve e, assim, lá em Esteio, casa da Ange e do Dudu, a família combinou de  se reunir para comemorar o Natal e o Ano Novo. Resolveram que um Natal não estaria completo sem um presépio e, assim, uma árvore de plástico e uma caixa de areia foram providenciadas.
Bruninho, o filho dos donos da casa, resolveu dar sua contribuição para a história do presépio e acrescentou, ao lado do camelo e do jumento, o seu Tiranossauro Rex, que também ficou contemplando o nascimento do Nosso Salvador. Bruninho corrigiu assim uma injustiça histórica, afinal todo mundo sabe só não tinha dinossauro presente no Ano Domini porque não houve espaço para eles na Arca de Noé.
Sensibilizado pela história da fuga de Maria, levando o Menino Jesus pelo deserto na garupa de um jumento, Bruninho chegou ao máximo da generosidade, colocando o Relâmpago Mcqueen, seu carrinho vermelho e falante, que ele tanto adora, a disposição do casal em fuga. Era só colocar o Menino Jesus no banco traseiro e disparar em alta velocidade pelo deserto. Pô, como é que o Criador não pensou numa coisa dessas antes?
Brincadeiras à parte, os atos de Bruninho revelam um excelente caráter, além da criatividade e inteligência típicas da família. 😉
Contudo, o melhor ainda estava por vir. Ana, Danilo, o pequeno Gabriel e o gato Mingau se deslocaram de Florianópolis até Esteio para encontrar a família e celebrar com eles o Natal. É uma viagem dura. Não é qualquer um que encara seis horas de estrada em pleno feriadão. Eles chegaram no meio da tarde da véspera de Natal, todos meio tortos, se espreguiçando para reativar a circulação.
Vejam como tudo na vida é uma questão de ponto-de-vista. Para nós, aquele presépio significava a união da família, a boa tradição mantida e o respeito a Deus. Já  o Mingau, liberto após seis horas de estrada, olhou para o presépio e miou: "Oba! Uma Caixa de Areia!".
E foi assim que o Menino Jesus veio ao mundo em 2008, ao lado de dinossauros, carros falantes e de um monte de areia parecido com o Everest.

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