System failure nos sebos

Durante os primeiros duzentos e dez dias deste ano, meu pés estavam totalmente em forma. Hoje, justamente no dia em que um deles decidiu se abrir em virtude do frio, eu resolvi fazer uma peregrinação pelo centro em busca do livro perdido.
Na verdade, não é um livro perdido, é apenas um livro que eu quero ler antes que a adaptação chegue ao cinema. O preço nas livrarias subiu drasticamente, já antecipando o sucesso do filme, então, lá fui eu percorrer, mancando, alguns sebos da ilha-que-me-odeia.
No primeiro sebo, nem computador tinha de tão pequeno que era. "Sem chances" – pensei eu – e meu palpite se confirmou.
No segundo sebo, um computador!
"Oba! Não perderei tempo tentando achar o livro nessas prateleiras enormes!"
Fui logo pedir para a moça se tinha o tal livro. Ela me disse que eu deveria ir procurar na prateleira tal da seção tal…
Meu queixo caiu. Olhei esperançoso para a tela do computador, tentando insinuar que havia um meio mais rápido de ver se o livro estava no sebo, mas minha indireta foi em vão porque eles não tem os livros cadastrados no computador.
(em certas ocasiões, eu entendo perfeitamente como a Alice se sentia andando por um lugar absolutamente non-sense)
No sebo seguinte, recebi um "desculpe moço, mas o sistema está fora do ar". Fiquei até com medo que o livreiro me reconhecesse como Analista de Suporte e pedisse ajuda para consertar o sistema, então corri para olhar nas prateleiras onde ele disse que os livros estavam indexados por ordem do primeiro nome do autor. Fui olhar direto na letra D, de Dennis Lehane, e encontrei vários livros conhecidos: Cipreste Triste, Morte no Funeral, Um Brinde de Cianureto… Nem perguntei o que Agatha Christie estava fazendo na letra D, pois era uma questão de segundos antes dele me reconhecer como "o cara que mexe com computadores". Sai do local quase correndo e me dirigi ao último sebo da jornada.
Naquela altura, eu já havia desenvolvido um método de busca. Primeiro tentei procurar na prateleira de literatura internacional. A letra L, de Lehanne, deveria estar na prateleira 16… Achei as prateleiras 15 e 17 e percebi que, além de não achar o livro que eu queria, ainda por cima eu tinha perdido uma prateleira inteira. Resignado, fui consultar o vendedor que estava na frente de um computador moderno, com tela de LCD e tudo. "Oba, agora vai!".
""Boa tarde, eu gostaria de saber se vocês tem um livro, o senhor pode consultar para mim?"
"Claro, qual o nome?"
"Paciente 67, de…"
"Não tem."
Sim, ele disse isso SEM usar o computador para pesquisar!
Agradeci a informação e vim mancando para casa, pensando nas mil e uma possibilidades de um bom sistema para sebos. "Preferências do leitor com e-mail alert assim que chegar uma obra de um autor ou de um estilo que o cliente já comprou antes", "lista de desejáveis, com preço combinado de antemão, caso o livreiro consiga a raridade…", enfim, são tantas possibilidades para se ganhar dinheiro usando o computador como ferramenta e não apenas como decoração!

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