A Cocoroca Gigante

Uma das coisas que mais me aborreciam aqui nesta ilha era que, desde a minha chegada, eu jamais conseguira pescar um peixe sequer.

Imaginem, cheguei botando banca de pescador e tudo o que consegui foi me perder no meio do mato sem cachorro. Naquela ocasião, só sai do matagal com metade da minha vara de pescar, isso depois de ter rolado uma ribanceira cheia de gravatas.

Tudo o que eu tinha conseguido de peixes eram dois baiacus, ou um baiacu apenas que eu acho que pesquei duas vezes. Enfim, um peixe feio, venenoso e que fica miando quando está fora da água.

Tudo mudou neste final de semana e eu sabia que iria mudar porque era hora e eu estava pronto. Comprei uma vara nova, um molinete novo e escolhi um lugar impossível de se perder: Pontal de Daniela, com vista única para a ponte Hercílio Luz, lá ao longe.

E foi assim que, após duas horas de boa pesca, voltei para casa carregando nada menos que cinco peixes comestíveis! Dois bagres, duas cocorocas e a peça mais nobre da coleção: um papa-terra de tamanho médio!

<momento história de pescador>

Na verdade, fisguei sete peixes, mas dois me escaparam na beirada. Um por estar mal fisgado, o outro… Ah, o Outro! Era um peixão, minha gente! Uma cocoroca gigante que eu trouxe até a beirada. Olha, conforme ela saia da água, o nível do mar ia baixando alguns metros! Infelizmente, a infeliz cortou a linha com uma dentada!

</momento história de pescador>

A Lisa não deu tanta bola assim para o pescado, mas Nino, o gato que andava doente, acamado e sem forças nem para miar, ressuscitou! Foi eu chegar com o peixe e ele imediatamente se materializou na cozinha.

Nino, o bardo, e sua sinfonia em Mi Maior: "Ode ao Peixe", "A Saga do Gato Faminto" e a "Canção em Prol da Generosidade Humana" foram algumas das tradicionais peças miadas por ele em seu show, o Show do Mião.

Óbvio que, no fim da história, Nino e Amélie ganharam quase todo o peixe e eu e Lisa tivemos que ir matar a fome no Festival de Comida Mexicana. Afinal de contas, existem prioridades que não podem ser ignoradas. Quem ia aguentar o canalha amarelo durante a semana, caso ele ficasse sem peixinho? De todo o modo, é muito melhor ver o Nino incomodando do que vê-lo jururu e doente.

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