O Estranho Causo da Bruxa Envelopada

Atenção, senhoras e senhores, para este causo pedirei a participação especial do fadista André Lopes. Por favor, André, se posicione ali no canto com sua guitarra portuguesa e aguarde instruções.

O Estranho Causo da Bruxa Envelopada

Lá estava eu, no quarto, escutando música através dos fones de ouvido e acompanhando a letra através do aplicativo SongBird. Minha mente indagava sobre o motivo do fracasso da minha série de e-mails Cinco Músicas de Metal para escutar Antes de Morrer. Alias, que título horrível, maldito Famous Grouse. Um dos motivos, pensei eu, era que eu não tinha cinco músicas de metal, sem contar as do Metallica, para indicar. Então, de onde eu inventei esse cinco? Porém, o motivo principal do fracasso foi a minha absoluta incapacidade de transmitir através de palavras a sensação exata que a música me causava.

Por exemplo, Orgasmatron, que eu estava ouvindo naquele momento, era perfeita para constar na minha série. Uma letra que conseguia, em três parágrafos, apontar o lado negro da Religião (1), da Política (2) e da Guerra (3). Porém, como transmitir em palavras o sarcasmo na voz do sensacional Lemmy?

Foi aí que, no meio da música, eu escutei "Sam! Sam! Aiiiiii……". Ora, bolas! Lemmy não grita Sam, Sam com voz fina. Tirei os fones de ouvido e percebi que os gritos vinham da sala. A mocinha estava em perigo e era hora do nosso herói entrar em ação.

(André…)

Super Mouse, o seu amigooooo

Vai salvá-la do perigooooo!

Sem demora, corri para a sala e percebi que a origem da confusão vinha do fato de Nino, o canalha amarelo, estar perseguindo uma mariposa gigantesca que havia invadido o recinto. Nós, gaúchos, chamamos esse tipo de mariposa de Bruxa, mas isso não vem ao caso. A mocinha em pânico gritava:

"Nino! Não come isso que você vai se intoxicar!"

Nino está se recuperando de uma colangio-hepatite que quase o fez bater as patas, de modo que percebi de imediato qual era minha heróica missão naquela noite: Salvar o gato!

E lá fui eu…

(André…)

Super Mouse, o seu amigooooo

Vai salvá-lo do perigooooo!

Dei um salto e me interpus entre Nino e a Bruxa. Ele parou e a mariposa teve tempo de tentar escapar, voando para baixo da mesa. Péssima decisão, pois embaixo da mesa, observando daquele canto escuro e protegido, estava Amélie, a irmã de Nino. A demonstração de elegância foi incrível, pois a gata sequer precisou se levantar, apenas esticou uma de suas patas negras e imobilizou a mariposa, pressionando-a contra o chão. Amélie fez isso e então ficou olhando para mim com aquelas aquelas pupilas ofídicas envoltas nos olhos amarelos que se destacam tão bem na escuridão. Senti um arrepio percorrer minha coluna e só não revirei os olhos porque isso aqui é uma aventura séria e não uma patacoada adolescente.

Naquele momento, acho que a mariposa entendeu que aqui em casa o Perigo veste amarelo, mas a Morte Certa anda de preto. Felizmente para o inseto, eu dei um passo em direção à mesa e Amélie liberou sua presa, afastando-se.

Então, a bruxa voou em direção ao sofá e novos gritos da mocinha em apuros se fizeram ouvir:

"Aiiii! Que bicho horrível!"

Nova missão para o herói e dessa vez muito mais condizente com a bravura do mesmo: Salvar a mocinha! Agindo com a desenvoltura e velocidade de um panda lutador de kung-fu, eu corri para o sofá e…

Super Mouse, o seu amigooooo

Vai salvá-la do perigooooo!

…Pulei e fiquei entre a mocinha encolhida num canto e a bruxa, meio atordoada, caminhando sobre o braço do outro canto. Saquei minha espada emborrachada, também conhecida como Havaianas Surf, e me preparei para executar a vilã.

Nisso, a mocinha, recobrando a calma, pode olhar melhor para a mariposa. Era um espécime daqueles que a natureza achou por bem camuflar. Suas gigantescas asas imitavam perfeitamente, quando abertas, uma grande folha seca, permitindo que o animal passasse despercebido quando pousado nos troncos das árvores. Parte de uma asa estava até meio carcomida, como se as larvas tivessem atacado ali, tornado o disfarce ainda mais perfeito. Hmmm, se bem que esse detalhe da camuflagem me pareceu ter sido uma contribuição do Nino…

A ex-mocinha em perigo deteve minha ação com uma nova ordem:

"Ei! Que animal interessante! Não mate!"

Desta forma, pela terceira vez em um minuto, a missão do herói foi alterada. De salvador do gato, passei para salvador aa mocinha e, agora, me tocava salvar o inseto.

Lá vamos nós…

Super Mouse, o seu amigooooo

Vai salvá-la do perigooooo!

Muito obrigado, André, sua participação se encerra aqui. Senhoras e senhores, este foi o fadista português André Lopes. Por favor, uma salva de palmas.

De alguma forma inexplicável, surgiu um envelope A4 branco na mão da mocinha e minha tarefa então era capturar com vida a bruxa invasora. Eu já fiz muitas coisas com insetos: esmaguei com o chinelo, queimei com álcool, eletrifiquei com mata-moscas elétrico. Porém, nunca na vida, imaginei-me tendo que envelopar uma mariposa gigante. Imaginem que eu sequer tinha o endereço da Sociedade Brasileira de Entomologia…

Consegui cumprir minha missão, não me perguntem como e, depois de alguns instantes, a bruxa estava voando, novamente livre, pelas ruas de Floripa.

Essa foi mais uma aventura fantástica de Samael, o Herói do Cotidiano.

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