Manhattan – 1979

Ontem à noite, entre uma bacia de guacamole de um lado e um pacotão de Doritos do outro, assisti ao filme Manhattan, filmado por Woody Allen em 1979.

Trata-se de um desafio desvendar porque um tipo como eu, que só acha um filme bom quando há pelo menos um machado enfiado na cara de alguém ao longo da história,  pôs-se a ver uma comédia romântica feita por um pacato cidadão. Também não encontro explicação para o fato de eu estar de dieta e, ao mesmo tempo, haver uma bacia de guacamole com Doritos ao meu lado.

Eu juro que não sabia nada da história. E achei tudo muito manjado, lembrando aqueles contos mofados do Nelson Rodrigues em A Vida Como Ela É. No caso da trama de Manhattan, Isaac, personagem interpretado pelo próprio Woody, é um quarentão em crise. Ele acabou de chutar o balde no emprego que tinha, está se enrolando para escrever um livro e está namorando uma garota de 17 anos. É nesse momento que surge no meio do caminho a problemática amante do melhor amigo.

Logo de início, Isaac acha a amante do amigo uma mulher aterradora, mas no decorrer da trama acaba se envolvendo com ela e forma-se um grande rolo típico das comédias românticas.

Então o cara nota que fez besteira e tenta consertar as coisas e… O FILME TERMINA!

Fui dormir indignado! Em veemente protesto contra quem me indicou essa bomba, deixei a tigela com restos da guacamole ostensivamente em cima da mesa da cozinha, sem sequer por água no recipiente. Já contei para vocês o quanto sou vingativo?

Fui dormir e, por algum motivo, sonhei com o filme. Havia algo nas imagens, algo na história…

Acordei. Fui pegar um Actimel na geladeira e percebi que a tigela de guacamole ainda estava lá em cima da mesa. Como eu sei o que é bom para minha saúde, tratei de pegá-la, juntamente com o restante da louça e fui lavar os pratos. Considerei que a lição já estava dada.

Aí, entre o ato de lavar um prato e outro, algo fez click, ou melhor, fez: nheeeecccc, creck…. chuck chuck chuck chuck….

Essas são onomatopeias de um cérebro há muito sem uso, devido provavelmente ao excesso de filmes sobre machados enfiados na cara, entrando em ação novamente.

Preconceito! Essa é a palavra-chave para entender Manhattan. Existe no filme o que as pessoas falam e existe as cenas mostrando o romance de Isaac com a garota de dezessete anos.

Quando eu entendi isso, o resto veio em torrente. As belas cenas que diziam mais que mil palavras, todos os diálogos simples, de cenas simples, como um casal na cama comentando sobre um programa de televisão. Enfim, estava tudo lá! E se eu não vi a beleza da trama por puro preconceito, Isaac também não viu a beleza de seu relacionamento pelo mesmo motivo.

O filme não terminou de uma hora para outra, terminou na hora certa. Terminou quando tudo o que havia para ser dito já o fora dito!

Não percam!

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