Iron Man

Pessoal!

Li Eu Sou Ozzy, a biografia do Iron Man Ozzy Osbourne. Olha, o homem só pode mesmo ser feito de ferro, pois não dá para se encontrar nenhum outro motivo para o vocalista original do Black Sabbath ainda estar vivo numa altura dessas. Foram décadas abusando de todo o tipo de droga. Um estudo recente demonstrou que, além de ter DNA de Neanderthal, Ozzy ainda por cima alterou seus genes devido aos abusos químicos.

Tudo está lá, retratado com o maior bom humor e também com frieza, sobretudo nas partes trágicas. Ozzy teve a coragem de solicitar ao seu ghost writer que não amaciasse em nada. Certamente, trata-se de um livro que pode servir de alerta para muita gente. Ao invés da tradicional linguagem do “não faça isso meu filho“, Ozzy conta a coisa desse outro jeito: “Eu fiz isso, meu filho, e cheguei num ponto onde eu não conseguia chegar ao banheiro sem me sujar completamente no caminho“.

Passeiam pela biografia vários personagens ilustres do Rock, tais como Eric Clapton, Jimmy Page e até a Madonna, que começou a carreira como corista em um dos clipes do “homem que comeu um morcego”.

O mais espantoso para mim, além do fato dele ainda estar vivo, foi descobrir que Ozzy idolatra uma certa banda de Liverpool… Sim, isso mesmo! Ozzy é beatlemaníaco e admite que só resolveu seguir carreira na música porque “aquele bando de rapazes, gente como nós, provou que era possível“.

O produtor dos discos do Ozzy também trabalha para o Paul McCartney. Então, certo dia, Ozzy escutou um trecho que uma música e disse para o seu produtor:

“Ei, que música boa! Vamos roubar!”

“Não podemos, Ozzy. Essa música é do meu outro chefe…”

Ozzy desistiu imediatamente da ideia e, dias depois, recebeu um email de uma linha:

“Obrigado por não roubar a minha música, Ozzy!”

 Claro que o e-mail foi impresso e está emoldurado na parede da mansão Osbourne até hoje.

Bom, agora que já recomendei a biografia e já apresentei o homem, vamos à diversão!

Ozzy ficou com essa fama de “meio lesado” por conta das drogas. Por isso, vejam primeiro a entrevista que gerou a maior polêmica nos Estados Unidos.

A coisa toda foi parar no Super Bowl, no que foi considerado o melhor comercial do evento:

🙂

Vida longa ao Iron Man!

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Dieta do Esquilo

Bah!

Quando me disseram que castanhas, amêndoas, pistaches e nozes ajudavam a pessoa a emagrecer, fui correndo comprar uma porção. Antes de correr, eu deveria ter perguntado qual era o sistema pelo qual uma noz faz uma pessoa perder peso.

Cinco minutos após voltar do mercado com quase meio quilo de amêndoas, pistaches e castanhas portuguesas, descobri que era impossível abrir aquelas coisas capeta! A imagem do esquilo pré-histórico da Era do Gelo me veio a cabeça.

A unica coisa que cedeu aos meus esforços com o pinholino (um descascador de pinhôes, já que quebra-nozes não existe aqui no mato) foi a castanha portuguesa. Só que eu não sabia que essa castanha era portuguesa não no sentido gastronômico, mas sim no sentido anedótico da palavra. Por dentro, parecia um amendoim mofado e, ainda por cima, com casquinhas por dentro das dobras. Enfim, nada na anatomia da castanha portuguesa faz o menor sentido.

Mesmo assim, comi uma. Aquele mofo verde tinha um gosto horrível e imediatamente me lembrei de um episódio de House onde alguém quase morreu envenenado por selênio porque havia comido nozes. E se a castanha portuguesa só podia ser comida depois de torrada? Além de morrer envenenado, ainda teria que aturar o meu arqui-inimigo lusitano, André Lopes, rindo da minha cara, ó pá!

Tomei um copão da água e resolvi apelar: torrei tudo! Resultados: as amêndoas viram algo que nem o Hulk conseguiria quebrar, as castanhas portuguesas viraram algo capaz de quebrar até dentes-de-sabre. Já os pistaches, mais discretos, simplesmente viraram pó.

Realmente, esse tipo de comida emagrece!

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Manhattan – 1979

Ontem à noite, entre uma bacia de guacamole de um lado e um pacotão de Doritos do outro, assisti ao filme Manhattan, filmado por Woody Allen em 1979.

Trata-se de um desafio desvendar porque um tipo como eu, que só acha um filme bom quando há pelo menos um machado enfiado na cara de alguém ao longo da história,  pôs-se a ver uma comédia romântica feita por um pacato cidadão. Também não encontro explicação para o fato de eu estar de dieta e, ao mesmo tempo, haver uma bacia de guacamole com Doritos ao meu lado.

Eu juro que não sabia nada da história. E achei tudo muito manjado, lembrando aqueles contos mofados do Nelson Rodrigues em A Vida Como Ela É. No caso da trama de Manhattan, Isaac, personagem interpretado pelo próprio Woody, é um quarentão em crise. Ele acabou de chutar o balde no emprego que tinha, está se enrolando para escrever um livro e está namorando uma garota de 17 anos. É nesse momento que surge no meio do caminho a problemática amante do melhor amigo.

Logo de início, Isaac acha a amante do amigo uma mulher aterradora, mas no decorrer da trama acaba se envolvendo com ela e forma-se um grande rolo típico das comédias românticas.

Então o cara nota que fez besteira e tenta consertar as coisas e… O FILME TERMINA!

Fui dormir indignado! Em veemente protesto contra quem me indicou essa bomba, deixei a tigela com restos da guacamole ostensivamente em cima da mesa da cozinha, sem sequer por água no recipiente. Já contei para vocês o quanto sou vingativo?

Fui dormir e, por algum motivo, sonhei com o filme. Havia algo nas imagens, algo na história…

Acordei. Fui pegar um Actimel na geladeira e percebi que a tigela de guacamole ainda estava lá em cima da mesa. Como eu sei o que é bom para minha saúde, tratei de pegá-la, juntamente com o restante da louça e fui lavar os pratos. Considerei que a lição já estava dada.

Aí, entre o ato de lavar um prato e outro, algo fez click, ou melhor, fez: nheeeecccc, creck…. chuck chuck chuck chuck….

Essas são onomatopeias de um cérebro há muito sem uso, devido provavelmente ao excesso de filmes sobre machados enfiados na cara, entrando em ação novamente.

Preconceito! Essa é a palavra-chave para entender Manhattan. Existe no filme o que as pessoas falam e existe as cenas mostrando o romance de Isaac com a garota de dezessete anos.

Quando eu entendi isso, o resto veio em torrente. As belas cenas que diziam mais que mil palavras, todos os diálogos simples, de cenas simples, como um casal na cama comentando sobre um programa de televisão. Enfim, estava tudo lá! E se eu não vi a beleza da trama por puro preconceito, Isaac também não viu a beleza de seu relacionamento pelo mesmo motivo.

O filme não terminou de uma hora para outra, terminou na hora certa. Terminou quando tudo o que havia para ser dito já o fora dito!

Não percam!

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Cadê o Drácula, pô?

O jogo Castlevania é um ícone da indústria que mais fatura em todo o mundo do entretenimento. Sim, jogos de videogame rendem mais dinheiro que filmes de Holywood e não é à toa, pois a qualidade apresentada hoje em dia já deixa muito filme no chinelo.

Castlevania, como eu ia dizendo antes de perder o fio da meada, é um ícone, criado em 1986 por japoneses abstêmios. A trama sempre envolve alguém da família Belmont, famosos caçadores de vampiros, que, de alguma forma, precisam vencer as forças do mal. No título original, de 1986, chamado do Japão de “Castelo Assombrado do Drácula”, você percorria imensas fases dentro de corredores e catacumbas pixeladas até chegar ao chefão dos vampiros.

Bom, mas como eu disse no primeiro parágrafo, (viram? Eu não perdi o fio da meada, apenas preparei o terreno! Causa-me espécie que vocês tenham, por um minuto que seja, acreditado que eu estava fora do controle do meu próprio texto…) os videogames de hoje proporcionam uma qualidade igual ou superior a experiência no cinema, assim, a longa saga de Castlevania foi atualizada, com um título que retornou a Idade Média para contar a aventura do primeiro Belmont, Gabriel, e de sua luta contra as forças do mal.

E lá fui eu jogar Castlevania, Lords of Shadow!

SPOILERS

Gabriel Belmont é um dos membros da Irmandade da Luz e perdeu sua esposa recentemente. Um irmão-guerreiro mais velho, Zolbek, o informa que existe um artefato mágico, a Máscara de Deus, que, se obtido, pode fazer com que Marie retorne a vida. Acontece que a Máscara foi quebrada em três partes e cada uma dessas partes está em poder de um Lorde da Sombra.

Aí começa a sutileza da trama! Acontece que os três Lordes são, na verdade, os fundadores da Irmandade da Luz. No intuito de protegerem o mundo de uma possível invasão infernal comandada por Lucífer, eles obtiveram e partiram a Máscara em três partes. Porém, o imenso poder do artefato acabou corrompendo os três. Enquanto que a parte pura de suas almas foi ascendida aos céus, a parte negra ficou na terra e eles tocaram o terror pelos quatro cantos.

Lá fui eu, na pele de Gabriel Belmont, certo de que o chefão final era Drácula. Porém, antes eu tive que ir pela terra dos Lobisomens e acabei enfrantando o Dark Lord licantropo. Eu acho um absurdo isso de colocar sempre o lobisomen abaixo do vampiro, mas, enfim, dei cabo do cachorrão vitaminado, peguei uma parte da Máscara e fui a caminho e já para o próximo desafio.

Eram os vampiros. Estranhei, pois se eu iria enfrentar o Drácula logo na segunda fase, que outro mal pior me aguardaria na última etapa? Gente, foi complicado! Os vampiros estavam enquartelados no maior castelo que eu já vi em toda a minha vida. E eu indo atrás do chefão deles, até que, perto do fim, um vampiro me avisou: “Você provocou a ira de nossa rainha, ela virá atrás de você…”

ELA? Drácula, mas até tu? Já te inscreveste no BBB?

No fim, não era o Drácula, era uma Rainha Vampira numa roupa absurdamente decotada. Deu até pena de matar a coitada. Ah! Se a minha esposa aceitasse a minha ideia de montar uma harém!

A terceira fase foi no Reino dos Mortos, enfrentando o Lorde das Sombras Necromante. Zumbis…

Para chegar vivo na terra dos mortos, tive que negociar com uma bruxa louca, que me avisou que todos estavam sendo manipulados pelo Rei dos Anjos.

Não sei se dá para matar zumbis, uma vez que eles já estão mortos, mas deixemos essas picuinhas de lado. O que importa é que, após mil e uma dificuldades, cheguei a Arena Final! Dei cabo do Necromante, recuperei a última parte da Mascara e, então, ELE apareceu…

Ele, Zolbek, o traidor! O cara me manipulou o tempo todo e me fez lembrar de um pequeno detalhe que ele havia obscurecido em minha mente: quem matou minha esposa fui eu mesmo!

Zolbek tomou a máscara de mim, eu estava catatônico com a revelação e sequer considerei a hipótese de lutar. Desde o início da saga, fui coletando itens e mais itens de magia negra, sempre guiado por Zolbek. Fui me tornando uma máquina de matar fria e sanguinária, tudo isso achando que era para trazer de volta a mulher que eu mesmo havia decepado a cabeça com um machadão. Zolbek ia se dando bem, mas então surgiu uma Voz vinda de Baixo e ELE apareceu…

Ele, Lucífer, o Rei dos Anjos! Aquele que estava por trás de tudo.

A Máscara permite trazer alguém de volta dos céus, mas é, claro, um caminho de mão-dupla: se alguém pode sair, alguém também pode entrar… E Lucífer estava muito ansioso para voltar ao Paraíso e acertar umas contas com seu Criador.

Zolbek não deu nem para o cheiro! Pegou fogo de imediato e sumiu de vista. Restava, entre Lucífer e o paraíso, EU!

Foi uma luta difícil. Antes de eu entender o que era necessário para derrotar o Veneno de Deus, passei quase meia hora lutando em vão, sem sequer arranhar a barra de vida do vilão-número-um. Finalmente, consegui mandar o capeta de volta para o andar de baixo e fiquei com a Máscara.

Nesse ponto, minha falecida esposa surgiu na forma de um Fantasma e levou a Máscara para o Céu, seu lugar de direito. Fiquei na terra, desolado, implorando pelo seu perdão e condenado por meus crimes a nunca mais poder entrar no Paraíso. Pior, como eu também não seria bem-vindo nem mesmo no Inferno, fui “condenado” a imortalidade na Terra.

Epílogo. Nosso dias. Um monge encapuzado entra numa Igreja abandonada. Quebra selos místicos, eleva-se no ar até a abobada superior e finalmente encontra a pessoa que veio procurar. O encapuzado revela sua face… É Zolbek!

– Então foi aqui que você veio se esconder? – ele fala para mim, que estou sentado em um trono desses de bispos de igreja, envolto em sombras.

Eu não respondo nada. Ele prossegue:

– As forças do Mal novamente se reúnem. Há boatos de que Lucífer planeja outra investida à Terra. Você precisa me ajudar a detê-lo antes que chegue. Já imaginou o que ele fará conosco se conseguir se libertar, Gabriel?

Ao ouvir esse nome, eu finalmente reajo. Saio das sombras e grito:

– Não me chame por este nome! Eu sou Drácula!

Sim, ele é realmente Drácula. O guerreiro que, lutando em nome de Deus, cometeu os piores crimes. O Amante que está para sempre apartado de seu Amor. O miserável rejeitado pela própria Morte, condenado a vagar pela Terra, sem chance de redenção. Cadê a Stephanie Meyer para aprender como é a história de um vampiro de verdade?

E, enfim, no próximo Castlevania, eu (e todos que quiserem) poderei jogar como Gab… Digo, como Drácula, e defender o mundo da ira de Lucífer. Perfeito!

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O Estranho Causo da Bruxa Envelopada

Atenção, senhoras e senhores, para este causo pedirei a participação especial do fadista André Lopes. Por favor, André, se posicione ali no canto com sua guitarra portuguesa e aguarde instruções.

O Estranho Causo da Bruxa Envelopada

Lá estava eu, no quarto, escutando música através dos fones de ouvido e acompanhando a letra através do aplicativo SongBird. Minha mente indagava sobre o motivo do fracasso da minha série de e-mails Cinco Músicas de Metal para escutar Antes de Morrer. Alias, que título horrível, maldito Famous Grouse. Um dos motivos, pensei eu, era que eu não tinha cinco músicas de metal, sem contar as do Metallica, para indicar. Então, de onde eu inventei esse cinco? Porém, o motivo principal do fracasso foi a minha absoluta incapacidade de transmitir através de palavras a sensação exata que a música me causava.

Por exemplo, Orgasmatron, que eu estava ouvindo naquele momento, era perfeita para constar na minha série. Uma letra que conseguia, em três parágrafos, apontar o lado negro da Religião (1), da Política (2) e da Guerra (3). Porém, como transmitir em palavras o sarcasmo na voz do sensacional Lemmy?

Foi aí que, no meio da música, eu escutei "Sam! Sam! Aiiiiii……". Ora, bolas! Lemmy não grita Sam, Sam com voz fina. Tirei os fones de ouvido e percebi que os gritos vinham da sala. A mocinha estava em perigo e era hora do nosso herói entrar em ação.

(André…)

Super Mouse, o seu amigooooo

Vai salvá-la do perigooooo!

Sem demora, corri para a sala e percebi que a origem da confusão vinha do fato de Nino, o canalha amarelo, estar perseguindo uma mariposa gigantesca que havia invadido o recinto. Nós, gaúchos, chamamos esse tipo de mariposa de Bruxa, mas isso não vem ao caso. A mocinha em pânico gritava:

"Nino! Não come isso que você vai se intoxicar!"

Nino está se recuperando de uma colangio-hepatite que quase o fez bater as patas, de modo que percebi de imediato qual era minha heróica missão naquela noite: Salvar o gato!

E lá fui eu…

(André…)

Super Mouse, o seu amigooooo

Vai salvá-lo do perigooooo!

Dei um salto e me interpus entre Nino e a Bruxa. Ele parou e a mariposa teve tempo de tentar escapar, voando para baixo da mesa. Péssima decisão, pois embaixo da mesa, observando daquele canto escuro e protegido, estava Amélie, a irmã de Nino. A demonstração de elegância foi incrível, pois a gata sequer precisou se levantar, apenas esticou uma de suas patas negras e imobilizou a mariposa, pressionando-a contra o chão. Amélie fez isso e então ficou olhando para mim com aquelas aquelas pupilas ofídicas envoltas nos olhos amarelos que se destacam tão bem na escuridão. Senti um arrepio percorrer minha coluna e só não revirei os olhos porque isso aqui é uma aventura séria e não uma patacoada adolescente.

Naquele momento, acho que a mariposa entendeu que aqui em casa o Perigo veste amarelo, mas a Morte Certa anda de preto. Felizmente para o inseto, eu dei um passo em direção à mesa e Amélie liberou sua presa, afastando-se.

Então, a bruxa voou em direção ao sofá e novos gritos da mocinha em apuros se fizeram ouvir:

"Aiiii! Que bicho horrível!"

Nova missão para o herói e dessa vez muito mais condizente com a bravura do mesmo: Salvar a mocinha! Agindo com a desenvoltura e velocidade de um panda lutador de kung-fu, eu corri para o sofá e…

Super Mouse, o seu amigooooo

Vai salvá-la do perigooooo!

…Pulei e fiquei entre a mocinha encolhida num canto e a bruxa, meio atordoada, caminhando sobre o braço do outro canto. Saquei minha espada emborrachada, também conhecida como Havaianas Surf, e me preparei para executar a vilã.

Nisso, a mocinha, recobrando a calma, pode olhar melhor para a mariposa. Era um espécime daqueles que a natureza achou por bem camuflar. Suas gigantescas asas imitavam perfeitamente, quando abertas, uma grande folha seca, permitindo que o animal passasse despercebido quando pousado nos troncos das árvores. Parte de uma asa estava até meio carcomida, como se as larvas tivessem atacado ali, tornado o disfarce ainda mais perfeito. Hmmm, se bem que esse detalhe da camuflagem me pareceu ter sido uma contribuição do Nino…

A ex-mocinha em perigo deteve minha ação com uma nova ordem:

"Ei! Que animal interessante! Não mate!"

Desta forma, pela terceira vez em um minuto, a missão do herói foi alterada. De salvador do gato, passei para salvador aa mocinha e, agora, me tocava salvar o inseto.

Lá vamos nós…

Super Mouse, o seu amigooooo

Vai salvá-la do perigooooo!

Muito obrigado, André, sua participação se encerra aqui. Senhoras e senhores, este foi o fadista português André Lopes. Por favor, uma salva de palmas.

De alguma forma inexplicável, surgiu um envelope A4 branco na mão da mocinha e minha tarefa então era capturar com vida a bruxa invasora. Eu já fiz muitas coisas com insetos: esmaguei com o chinelo, queimei com álcool, eletrifiquei com mata-moscas elétrico. Porém, nunca na vida, imaginei-me tendo que envelopar uma mariposa gigante. Imaginem que eu sequer tinha o endereço da Sociedade Brasileira de Entomologia…

Consegui cumprir minha missão, não me perguntem como e, depois de alguns instantes, a bruxa estava voando, novamente livre, pelas ruas de Floripa.

Essa foi mais uma aventura fantástica de Samael, o Herói do Cotidiano.

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O Estranho Caso do Pássaro Ren-te-ria

Eu adoro pensar que, por já ter lido centenas de livros com estórias de detetive, acabei me tornando um. Isso tanto é verdade que até casos eu resolvo de vez em quando. Meu último problema solucionado, por exemplo, foi um desafio todo especial e vou contar para vocês como foi.

Lá estava eu, num final de tarde, dentro do banheiro, sentado em um banquinho defronte ao vaso sanitário, envolvido pela difícil tarefa de tentar cortar as unhas dos pés, fazendo com que os pedaços cortados caíssem todos dentro do vaso.

"Eu não quero saber de pedaços de queratina espalhados pela casa!" – foi essa a ordem matrimonial emitida pela minha com-sorte que acabou me colocando com a cara enfiada no vaso sanitário sem sequer ter ingerido álcool em excesso para chegar a este ponto.

Naquela situação um tanto humilhante, fiz o que todo homem faz quando corta as unhas dos pés, ou seja, comecei a me preocupar com grandes questões universais.

"Será que os reforços colorados para essa temporada podem garantir o nosso segundo título da Libertadores?"

Refletindo sobre essa importante questão, foi inevitável chegar ao Renteria. Esse bom jogador colombiano foi uma peça importante no Inter de alguns anos atrás, mas parece que agora anda meio que jogado de lado em algum outro clube.

"Ora, nesse caso, porque o Inter não trata de repatriar o Renteria?"

Nisso, ainda de cara enfiada no vaso, cortando as unhas, escuto um pássaro cantar na rua:

"REN-TE-RIA! REN-TE-RIA! REN-TE-RIA!"

Vocês não acham lindo o canto dos passarinhos? Se acham isso, se mexam e tratem de ir visitar o campo mais de perto, pois é óbvio que não estão escutando os pássaros aí onde estão agora!

O fato é que poucos são os pássaros cantores que não enchem a paciência de qualquer um após a centésima repetição do mesmo piado. E o galo, então? Pelo amor de Deus, o galo… Essa história de que ele canta para anunciar o amanhecer é sempre mal contada. Sabem qual é o verdadeiro método do galo para cantar justamente antes do sol nascer? Ele começa os ensaios por volta das quatro da madrugada!

"CÓ CÓ RI CÓ!" (ou "CÓ CÓ RI CÓRR!", se for um galo do interior paulista) – canta o galo e então dá uma espiada para ver se apareceu o sol.

Não apareceu.

"Xi! Errei! Deixa eu tentar de novo… CÓ CÓ RI CÓ!" – e vai-se embora, cantando até acertar. Durma-se com um barulho desses!

Voltando ao caso, eu concordei com o passarinho:

"É isso mesmo, amigo, REN-TE-RIA! Por que não o REN-TE-RIA?".

Foi quando senti um arrepio na espinha e quase corto um pedaço da carne ao invés da unha do dedão. Em qual universo um pássaro cantor poderia responder aos meus pensamentos com tal precisão? Pior, como ele podia estar piando justamente a onomatopeia perfeita para soar como REN-TE-RIA? Um pássaro com inteligência sobrenatural? E eu ali, imobilizado no banheiro, cara enfiada no vaso, sem poder ver o animal, apenas escutar seu piado-resposta.

Será que eu, um detetive de bolso, conseguiria desvendar o caso, mesmo estando com a cara praticamente enfiada em um vaso sanitário?

"Ordem e método, Hastings" – foi a primeira coisa que lembrei. Depois, recordei também de uma jornalista da Revista Piaui que disse que costumava listar todas as coisas que existem em ordem alfabética, antes de dormir, para que o sono viesse logo.

Ora, eu podia tentar aquele método com pássaros e, talvez, adivinhar qual era a identidade do passarinho mágico. No máximo, minha com-sorte me encontraria dormindo no banheiro.

Foi o que fiz. No entanto, já na letra A vi a imensa dificuldade da tarefa à qual me propus realizar:

"Andorinha, Albatroz, Ave-do-Paraíso (em Floripa, Samael?), Andorinhão… (se bem que andorinhão já me pareceu uma trapaça)".

Nesse ponto, acabaram todas as aves com letra A do meu repertório!

Letra B…

Sucesso! Na primeira ave que pensei com a  letra B, a onomatopéia, de REN-TE-RIA, mudou imediatamente para algo bem mais agradável.

Assim, amigos, esse foi mais um caso resolvido de forma brilhante pelo fantástico Detetive do Cotidiano.

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A Cocoroca Gigante

Uma das coisas que mais me aborreciam aqui nesta ilha era que, desde a minha chegada, eu jamais conseguira pescar um peixe sequer.

Imaginem, cheguei botando banca de pescador e tudo o que consegui foi me perder no meio do mato sem cachorro. Naquela ocasião, só sai do matagal com metade da minha vara de pescar, isso depois de ter rolado uma ribanceira cheia de gravatas.

Tudo o que eu tinha conseguido de peixes eram dois baiacus, ou um baiacu apenas que eu acho que pesquei duas vezes. Enfim, um peixe feio, venenoso e que fica miando quando está fora da água.

Tudo mudou neste final de semana e eu sabia que iria mudar porque era hora e eu estava pronto. Comprei uma vara nova, um molinete novo e escolhi um lugar impossível de se perder: Pontal de Daniela, com vista única para a ponte Hercílio Luz, lá ao longe.

E foi assim que, após duas horas de boa pesca, voltei para casa carregando nada menos que cinco peixes comestíveis! Dois bagres, duas cocorocas e a peça mais nobre da coleção: um papa-terra de tamanho médio!

<momento história de pescador>

Na verdade, fisguei sete peixes, mas dois me escaparam na beirada. Um por estar mal fisgado, o outro… Ah, o Outro! Era um peixão, minha gente! Uma cocoroca gigante que eu trouxe até a beirada. Olha, conforme ela saia da água, o nível do mar ia baixando alguns metros! Infelizmente, a infeliz cortou a linha com uma dentada!

</momento história de pescador>

A Lisa não deu tanta bola assim para o pescado, mas Nino, o gato que andava doente, acamado e sem forças nem para miar, ressuscitou! Foi eu chegar com o peixe e ele imediatamente se materializou na cozinha.

Nino, o bardo, e sua sinfonia em Mi Maior: "Ode ao Peixe", "A Saga do Gato Faminto" e a "Canção em Prol da Generosidade Humana" foram algumas das tradicionais peças miadas por ele em seu show, o Show do Mião.

Óbvio que, no fim da história, Nino e Amélie ganharam quase todo o peixe e eu e Lisa tivemos que ir matar a fome no Festival de Comida Mexicana. Afinal de contas, existem prioridades que não podem ser ignoradas. Quem ia aguentar o canalha amarelo durante a semana, caso ele ficasse sem peixinho? De todo o modo, é muito melhor ver o Nino incomodando do que vê-lo jururu e doente.

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